SOLO DE FLAUTA

I
Fui edificado em areia
Todo dia
Desmorono

II
E sonho com verdes vidraças
Pássaros e passos
De Tai-Chi-Chuan

III
Algo assim
Puro simples
Ainda distante...

IV
Tenho o ideal
Dos poetas profetas
Vagabundos e loucos

V
Que sabem dividir
O nada
Doando-se um pouco


VI
Pois não vieram
Ao mundo
Apenas para morrer...

VII
Escrevo caminhos próprios
Nas entrelinhas
Deste redondo caderno azul

VIII
Para isso
Me dei ao medo medonho
E este se transformou

IX
À custa de pesadelos
Desespero e muito sonho
Numa singela canção de ninar...

X
Sou um homem
Mas nem de longe me assemelho
Ao que vejo no espelho


XI
Deixo que meus olhos voem
Para além do que vêem
Olhando para além do que podem voar

XII
Tenho olhos finitos
A olhar o infinito
Procurando enxergar...

XIII
Para mim
O amanhã é um pássaro
Batendo asas no agora

XIV
Pássaro que gira no ar
Corrigindo em pleno vôo
Seu caminho invisível

XV
Varando séculos
Virando milênios
Recusando-se a pousar...


XVI
Conquistei o direito
De ser, viver e sonhar
O que quiser

XVII
Então decidi ser um poeta
Tranqüilo sossegado
Vibrante e apaixonado

XVIII
Que maldosamente inocente
Reforma areja e transforma
O espírito embotado dessa gente...

XIX
Com a poesia pulsante
Da vida que arde
Hoje e sempre

XX
Por toda parte
Com o amor a graça
E a beleza da arte.














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